“EX-SECRETÁRIO DIZ ESTAR FOCADO EM AJUDAR A AGRICULTURA FAMILIAR A NÍVEL DE ESTADO”
Afastado do cargo de secretário municipal de agricultura de Vilhena por ordem judicial desde 17 de março, Jair Dornelas falou com a nossa reportagem pela primeira vez sobre a decisão e seus planos futuros dentro do cenário político.
Iniciando sua fala, Jair
destacou o bom trabalho que ele e sua equipe conseguiram realizar durante o
período que esteve à frente da pasta: “Foi
um período de muito trabalho e resultados, onde tivemos erros e acertos, mas
sempre trabalhamos tentando acertar. Ressalto aqui o programa balde cheio, que
quando assumimos tinha apenas 12 produtores inseridos e deixamos a pasta com
48, dando um incremento de 300% em pouco mais de um ano.” disse ele.
Sobre a compra de maquinas e
implementos, o ex-secretário também avalia como positiva sua passagem pela
pasta, tendo comprado importantes equipamentos para desenvolver grandes
trabalhos como o programa porteira a dentro.
Ao assumir a Secretaria de
Agricultura de Vilhena, Jair contava com pouco mais de R$ 26 mil em caixa
oriundos da arrecadação do programa, e ao sair, deixou um saldo de ter faturado
R$ 1 milhão e 200 mil reais em 20 meses de gestão. Em relação ao número de
serviços prestados de maneira individual aos produtores ele lembra que assumiu
no requerimento número 193 e entregou com 4200. Sobre sua saída de forma
inesperada do comando da pasta, Jair não esconde a decepção com a decisão do
judiciário, que ele considera injusta e a atitude do prefeito em exonerá-lo, já
que a ordem pedia apenas seu afastamento até o esclarecimento dos fatos.
“É claro que a gente fica chateado, recentemente terminei meu recurso,
quanto ao afastamento a justiça conseguirá entender que não houve nenhum tipo
de dolo ou eventual crime na minha conduta. O afastamento era preventivo e sou
a favor disso, mas o prefeito preferiu me dizer por telefone que eu seria
exonerado e não deu mais satisfações” pontuou ele.
Jair revela que as relações
não vinham bem desde que ele percebeu que havia uma intenção de Eduardo Japonês
em tirar maquinas pesadas e caminhões da SEMAGRI para suprir a demanda da
SEMOSP, na época comandada por Marcelo Boca que planejava ser candidato a
vereador. “Sempre deixei claro para o
prefeito que não era de acordo com isso e reafirmei que quando a SEMOSP
precisasse nós iríamos dar suporte como sempre foi feto, mas tirar
definitivamente os equipamentos eu jamais iria permitir, pois acaso isso
ocorresse o produtor rural ficaria desguarnecido” revelou.
Evitando tecer críticas, mas
deixando claro que não pretende voltar ao comando da pasta, Jair se atém em
dizer que tem novos objetivos, agradece ao prefeito pelo tempo em que confiou em seu trabalho, e aos
produtores rurais que buscaram a SEMAGRI, bem como, aos servidores que o
ajudaram a fazer uma gestão sólida e de resultados. “Saltamos de 3 para 6 caminhões caçamba, compramos uma prancha, um
caminhão pipa e um cavalinho, além de 2 retroescavadeiras que vieram via
convênio dando um incremento de mais de 70% na nossa frota. Isso tudo sem citar
os programas de assistência ao produtor que foram criados na nossa gestão que
mudaram a realidade da secretaria municipal de agricultura, então dá sim para
dizer que me sinto realizado com tudo que aconteceu.” afirma.
Dornelas revela que embora
haja um clamor dos produtores por sua volta, agora ele pretende percorrer o estado
buscando apoio das associações rurais no sentido de iniciar um processo de
quebra do monopólio dos laticínios que tanto tem feito mal aos produtores de
leite do estado.
“São mais de 28 mil produtores de leite que vivem sobre o “jargão” dos
laticínios que tomam decisões unilaterais de qual o preço a ser pago pelo leite
e tirando deles a liberdade econômica em poder vender seu produto livremente.
Ultimamente tivemos uma redução de mais de R$ 0,60 no preço do leite sem que
ninguém fosse consultado sobre isso, e isso é inadmissível! Quero aproveitar o
espaço e agradecer a deputada federal Jaqueline Cassol que essa semana alertou
o governo do estado sobre a necessidade de cumprimento da lei que obriga as
empresas a notificarem com no mínimo 10 dias de antecedência qualquer alteração
no preço do leite, mas ainda é pouco! Precisamos de mais e de mais liberdade
econômica.” contou o ex-secretário.
Detalhando como essas
amarras podem ser quebradas Dornelas ressalta que um decreto presidencial de
1970 atrapalha ou impede definitivamente a comercialização do leite ln natura, dando poder quase que
exclusivo aos laticínios sobre o produto.
“Veja bem, o ex-presidente Emílio Médici no início de 1970 publicou um
decreto proibindo a comercialização de leite cru em todo o território nacional
alegando necessidade de resguardo da saúde pública e a manutenção das regras
sanitárias, acho válido para aquela época onde quase não havia segurança
alimentar em nenhum lugar do mundo, mas 51 anos depois esse decreto perdurar com
força lei regulamentando uma atividade tão importante é impensável, para não
dizer inadmissível! Então nosso trabalho agora vai ser o de convencer nossa
bancada de senadores e deputados federais da necessidade em fazer o presidente
Jair Bolsonaro revogar ou extinguir esse decreto que trava o setor. Todos nós
sabemos que com a tecnologia de aferimento da qualidade do leite existentes
hoje, os modernos processos de ordenha combinados com sofisticados processos de
engarrafamento disponíveis o leite In Natura poderia sem dúvida nenhuma ser
comercializado com segurança abrindo assim um novo horizonte para a cadeia
produtiva e libertando os produtores dessa semiescravidão que vivem há anos”
completou.
Jair vai além e diz que o
mecanismo de lei para tornar isso possível já existe, mas a execução dele passa
pela derrubada desse decreto que perdura há 51 anos. “Em fevereiro de 2017, então
ministro da agricultura Blairo Maggi publicou uma instrução normativa que dá
aos estados autonomia para criar normas e leis que dispõe sobre a
comercialização do leite In Natura e outros produtos de origem animal e
vegetal, mas para que essa instrução normativa passe a valer de fato temos que
destravar a questão do decreto que é muito antigo e aí sim na esfera federal,
em conjunto com o governo do estado e a assembleia legislativa construir um
texto de lei que abra esse mercado dando ao produtor essa possibilidade de
vender seu leite para quem ele quiser e pelo preço que ele achar conveniente,
isso se chama lei da oferta e demanda, é o livre mercado, mas é preciso boa
vontade política e muita sola de sapato e eu estou confiante e vou liderar o
programa que intitulei de “leite livre” em Rondônia” falou ele.
Sobre lançar-se candidato
nas eleições de 2022, Jair admitiu o desejo, mas prefere agir com cautela já
que Vilhena além dele devem ter outros candidatos ao cargo de deputado federal.
“É claro que considero isso e tenho sido consultado pela direção
estadual do meu partido, o PL, que tem como liderança o ex-deputado Luiz
Cláudio e tem me animado bastante, mas ainda tem o caso do prefeito Eduardo que
já deixou claro a intenção de disputar uma vaga e o do próprio secretário de
estado Evandro Padovani que em 2018 quase foi eleito. Não pretendo abrir mão
para nenhum dos dois caso a coisa tome corpo, mas respeitar as ideologias e
espaços alheios é sempre saudável para o sucesso de um projeto dessa magnitude”
finaliza.
Da redação

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