Advogadas Amanda Setubal e Kauana Resende vencem concurso de Poema e Crônicas

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Advogadas Amanda Setubal e Kauana Resende vencem concurso de Poema e Crônicas

 OAB-RO divulgou hoje vencedoras do concurso de Poema e Crônicas “Ser Mulher em 2021"


A OAB Rondônia, por meio da Comissão da Mulher Advogada da Subseção de Vilhena, divulgou nesta quinta-feira (10) resultado do concurso de Poema e Crônicas “Ser Mulher 2021”. O evento foi lançado no mês de março, com o objetivo de celebrar o Dia Internacional da Mulher e promover uma ampla reflexão sobre o papel da mulher na sociedade.

No total foram inscritos 16 trabalhos, de autoria das poetisas e escritoras advogadas da Subseção de Vilhena e acadêmicas de Direito. O concurso foi dividido nas categorias poema e crônica, com premiação para a primeira e segunda colocações.

A advogada Amanda Rodrigues ficou em primeiro lugar com o poema “Antiutópica”; e a advogada Regiane Castilho ficou em segundo, com o poema “Sim, ela é mulher”. Na categoria Crônica, Kauana Resende venceu com o trabalho “Cotidiana rotina”; e a acadêmica Gabriela Buckoski ficou em segundo, com “A menina que brincava de ser mulher”.

ANTIUTÓPICA

Da dor à glória

Do silêncio à voz

De 1927 a 2021

Ser ouvida, vista, aplaudida

Utopia?

Mulher, feminil, feminal, mulheril

Quem dirias tu que serias estrela?

Quem diria eu que seria ouvida?

Logo, eu e você, mulheres caladas, apedrejadas, violentadas e mortas?

Quem diria, Maria?

Quem diria elas que levantaríamos nossas vozes, nossas faces e nossos saltos altos?

Quem diria eu que seria permitido viver brilhantemente?

A sorte que agora me acompanha, outrora fez delas órfãs!

Eu aprendi a ser mulher,

Observei as que me precederam,

Me construí sob moldes,

Me fiz sob a ótica das grandiosas.

Me reconheço da fábrica queimada ao sufrágio,

Olhei no espelho e me descobri resultado de grandes batalhas, que eu não lutei, mas que

venci!

Quem diria, Myrthes que ser mulher e advogada, seria comum em 2021?


A premiação do concurso consistiu em um dia de beleza, fotografia em estúdio profissional e certificado para as vencedoras; e semi-jóia e certificado para a segunda colocação em cada categoria.

Cotidiana rotina.

O despertador toca, abala o sono em calmaria, disperso a fantasia e adentra a dura

realidade, pontualmente, uma hora antes de suas crias, a criatura divinamente humana

deve estar em pé. Nos pés, ao invés dos desejados saltos, as pantufas, no rosto ainda turvo

do espelho, água gelada, maquiagem e batom vermelho – o único ritual de outrora,

repetido institivamente para aplacar o cansaço e o medo.

O cheiro do café recém-coado acompanha a checagem de e-mails e notícias, sem

tempo a perder engole a seco os escárnios e as mortes ao redor do mundo. A casa agora

aprendia novos significados, era o escritório, a escola, a academia, o cinema... A vida era

a roda gigante viva de Chico Buarque, nas estanques vinte e quatro horas, em quatro

paredes. Ela se repartia, partia e morria em função de si e dos seus.

Às voltas de seu coração, acelerado descompasso, em alguns instantes sentia-se

náufraga, em meio ao mar errante das insólitas certezas, outros simplesmente atracava,

segura e forte no sorriso de seus filhos. Ela, capitã da casa e do destino, no desatino de

um vírus mortal, descobria versões de si antes inexploradas, retirava dos olhos as vendas,

desvelava suas multifacetadas funções: jamais seria apenas a profissional, era a mãe, a

mulher, a esposa, sua circunstância concreta, sem salva-vidas.

Havia duas possíveis escolhas diárias, enlouquecia ou crescia. Impreterivelmente,

antes do meio-dia, escolhia crescer a qualquer custo, com a verdade gravada à alma, frase

ressoante proferida por uma santa mulher, Tereza D’ávila: “é justo que muito custe o que

muito vale!”.

Vale a pena viver em integralidade, não apenas executora de seus papéis sociais,

mas plena de esperança, o calendário virará e os passos em vales de lágrimas, encontrarão

o triunfo, não apenas de suas pequenas vitórias pessoais, mas da humanidade que a

circunda. Ávida por encontrar a si mesma, no espelho, com rugas, cabelos brancos e o

sorriso de quem não sucumbiu a seus rodamoinhos.


A presidente da Subseção de Vilhena, Vera Paixão, parabenizou todos os membros da Comissão da Mulher Advogada pela realização do evento. “Os trabalhos inscritos no concurso foram de altíssimo nível, revelando o talento literário das profissionais e acadêmicas do Direito do município de Vilhena, o que nos deixa bastante orgulhosos e estimulados a promover a próxima edição”, afirmou.


A presidente da Comissão da Mulher Advogada, Iracema Cerruti, agradeceu o apoio da Subseção de Vilhena, que disponibilizou toda a estrutura necessária para a realização do concurso. “Ficamos muito felizes com o resultado, pois o objetivo de promover a reflexão sobre a importância do papel da mulher na sociedade foi atingido, e com isso, agradecemos a todos os envolvidos e patrocinadores”, finalizou.


Assessoria

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