Buscas por exames de mamografia caem 35% na saúde pública
Com
o diagnóstico precoce, é possível encontrar lesões em estágios iniciais e
barrar que o câncer de mama avance com o tratamento. Segundo dados do Instituto
Nacional de Câncer (INCA), é estimado que durante o triênio 2020/2022 cerca de
66.280 novos casos da doença sejam identificados no Brasil.
A
partir do rastreamento mamográfico – desde que realizado periodicamente –
diversos estudos mostram que a redução da mortalidade por câncer de mama pode
ter um impacto de 25% a 40%. “Quando a doença é descoberta cedo, os tratamentos
podem ser menos agressivos, além de terem uma maior chance de sucesso. A boa
notícia é que 95% dos diagnósticos precoces têm chances de cura”, comenta
Daniel Gimenes, oncologista.
Baixa
procura
Um
levantamento realizado pela Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de
Diagnóstico por Imagem (FIDI) — gestora de serviços de diagnóstico por imagem
em na rede pública — aponta que, de 2019 para 2020, o número de mamografias
realizadas na rede pública onde FIDI atua caiu 42% (foram cerca de 209 mil
exames em 2019 e apenas 120 mil em 2020). Em 2021, o número cresceu um pouco,
porém, segue preocupante: foram cerca de 135 mil mamografias realizadas, um
número 35% menor do que a quantidade realizada em 2019. O cenário incerto da
Covid-19 parece ser a causa principal da diminuição de agendamentos do exame.
No
último levantamento realizado pelo INCA, em junho de 2021, o câncer de mama,
tumor com maior incidência e mortalidade entre as mulheres, é a neoplasia
maligna mais incidente entre mulheres do Brasil inteiro, totalizando 29,7% de
casos em 2020, com aproximadamente 66 mil novas ocorrências.
Mas,
afinal, como o exame é feito?
Em
um mamógrafo, a mulher fica de pé em frente ao aparelho e duas placas
pressionam as mamas tanto na vertical, como na horizontal. Para ter uma melhor
imagem, o técnico pedirá para a paciente prender a respiração por alguns
segundos. “Em média, o exame pode durar cerca de 20 minutos no máximo”, explica
o oncologista.
Quem
deve fazer a mamografia
Acima
dos 40 anos, o exame pode ser realizado anualmente para a detecção precoce do
câncer de mama, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). Já entre os
50 e 69 anos, de acordo com o Ministério da Saúde, a mamografia de rotina pode
ser realizada a cada dois anos, desde que a mulher não tenha sinais ou sintomas
da doença.
Quando
o procedimento é realizado fora da faixa etária, ou seja, em mulheres com menos
de 40 anos, ele pode ser indicado para complementar o diagnóstico de nódulos na
região. Porém, vale lembrar que apenas o médico poderá recomendar a necessidade
ou não da mamografia em situações como essa.
Por
que a mamografia não é recomendada antes dos 40 anos?
Segundo
Daniel Gimenes, o exame pode trazer alguns riscos quando feito antes dos 40
anos. Além disso, o diagnóstico de câncer de mama em mulheres abaixo da faixa
etária é raro – representando apenas cerca de 10% dos casos.
“Por
causa de uma maior densidade da mama, o exame pode trazer falsos negativos.
Além disso, realizar a mamografia antes dos 40 anos expõe a mulher a uma
radiação que não é necessária naquele momento”, comenta.
Dói
fazer mamografia?
O
exame pode causar desconforto, mas a compressão no aparelho é rápida, fazendo
com que a dor seja passageira. “Uma dica para evitar que o incômodo seja maior
é realizar a mamografia fora do período menstrual, pois a mama está mais
sensível neste momento”, recomenda o especialista da Oncoclínicas São Paulo.
Quem
tem silicone pode fazer mamografia?
Sim,
pode. A prótese não irá atrapalhar o exame, mas é necessário que a paciente
avise sobre o silicone. “O mamógrafo não irá furar a prótese. A diferença é que
podem ser necessárias mais imagens durante o exame, assim como a manobra de
Eklund – que consiste em afastar o silicone para que não haja distorção dos
resultados”, comenta Daniel.
A
radiação da mamografia pode fazer mal?
O
exame é contraindicado na gravidez, mas pode ser realizado normalmente em
outras situações. A radiação emitida no procedimento é baixa e não causa
complicações.
Existe
preparo para fazer a mamografia?
O
exame em si não necessita de muitos preparos, mas é recomendado que a mulher
faça o agendamento da mamografia alguns dias após a menstruação. “Isso ajuda a
evitar o desconforto e oferece mais tranquilidade para a paciente durante o
exame”, explica Daniel.
Além
disso, é necessário evitar o uso de hidratantes, desodorantes e outras
substâncias nas mamas e axilas, pois podem interferir no resultado do exame.
A
vacina contra a covid-19 pode causar erros de interpretação na mamografia?
Sim,
pode. Por causa do aumento de linfonodos no braço em que a paciente recebeu a
vacina, a situação pode ser interpretada erroneamente como um sinal de câncer
de mama – uma vez que a doença também apresenta esse desdobramento. O INCA
recomenda que a mamografia de rastreamento seja feita entre quatro a seis
semanas após a vacinação contra a covid-19.
Mulheres
que estão amamentando podem fazer mamografia?
Não,
o exame não é recomendado caso a mulher esteja amamentando ou grávida. Em
situações como essa, o médico poderá solicitar outros exames de rastreamento
que não sejam prejudiciais para a mãe e para o bebê, como o ultrassom.
O
autoexame substitui a mamografia?
Não!
No caso do autoexame, ele auxilia na detecção de nódulos palpáveis, mas não
substitui a realização da mamografia. “Por isso, caso note sintomas como:
alterações de formato, da pele ou tamanho das mamas, procure um médico o quanto
antes para avaliação e diagnóstico correto”, finaliza Daniel Gimenes.
FONTE: diario amazonia
*Com
informações do INCA e FIDI
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