Desembargador Álvaro Kalix Ferro, do TJRO, recebe o prêmio em reconhecimento ao projeto do Judiciário rondoniense, em Brasília.
Mais de 25.500
ocorrências de violência contra a mulher já foram atendidas em Rondônia desde a
implantação do projeto Maria Urgente, há quatro anos. Em parceria com a
Polícia Militar, o Maria Urgente possibilita que, no momento do atendimento da
ocorrência, já sejam preenchidos o Formulário Nacional de Avaliação de Risco
(Fonar) e o pedido de medida protetiva de urgência para proteção da vítima.
Vencedor do IV
Prêmio Viviane do Amaral, em 2024, o projeto nasceu durante a pandemia de
Covid-19 e teve grande aceitação naquele período em que as mulheres não tinham
condições de se deslocar – tanto pela distância geográfica, quanto pela
situação sanitária daquele momento. As experiências de outra iniciativa do TJRO
também serviram de subsídio: o Maria no Distrito, implementado em 2018 e também
foi vencedor do Prêmio, em 2023, na categoria Tribunal.
Na edição de 2024,
a premiação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) foi concedida na categoria
Magistrado, pela coordenação do pelo juiz Álvaro Kálix Ferro. Segundo ele, o
tribunal estava atento às dificuldades de locomoção das partes para as
audiências. Por isso, o Judiciário passou a ir até as comunidades e distritos
longínquos da sede da comarca. A partir disso, levantaram o questionamento
sobre como as mulheres residentes em distritos ou zonas urbanas periféricas
poderiam pedir ajuda sem acesso à internet e com dificuldade de deslocamento.
A partir do
atendimento policial na ocorrência e com a manifestação de vontade da vítima, a
polícia militar preenche o Formulário Nacional de Avaliação de Risco. Se a
mulher também quiser pedir uma medida protetiva de urgência, a própria PM pode
enviar o pedido ao Núcleo de Prevenção e Enfrentamento à Violência Doméstica e
Familiar contra a Mulher (Nupevid) do TJRO, que funciona 24h por dia.
A ação visa
reduzir os riscos e o tempo de espera por proteção judicial. “Juntamente com o
formulário preenchido e outras informações, quem estiver fazendo o atendimento
pode encaminhar o processo judicial por via eletrônica ao juízo de plantão ou
ao juízo natural, a partir do sistema ‘Mobile’, instalado em todas as
viaturas”, explicou Kálix.
A vítima pode autorizar,
ainda, a coleta de informações pela câmera corporal utilizada pela polícia,
para auxiliar na análise judicial da medida protetiva. Com essa permissão, é
possível filmar o local, indicativos de vulnerabilidade e se a mulher foi
vítima de violência física ou de patrimônio, por exemplo. “Isso facilita a
análise pelo juízo de forma que possam ser tomadas as medidas de proteção mais
adequadas ao caso concreto”. A filmagem também evita a revitimização da mulher
que, além de sofrer violência, acabaria tendo que se deslocar e participar de
diversos atos institucionais do sistema de justiça.
Abrangência
Atualmente, o
Maria Urgente funciona nos 52 municípios de Rondônia com o preenchimento do
Fonar. Já o pedido de medida protetiva está disponível somente nas duas
principais comarcas – Porto Velho e Ji-Paraná. De 2020 a 2024, essas comarcas
registraram 7.544 ocorrências e 2.820 pedidos de medidas protetivas.
Uma das
dificuldades para operacionalizar a iniciativa é a interoperabilidade entre os
sistemas do Poder Judiciário e o sistema da Polícia Militar. “É importante que
os sistemas conversem entre si, para que os documentos e provas sejam
encaminhados de forma imediata. Estamos trabalhando nessa questão para que o
atendimento possa ser feito de maneira integral em todo o estado”, afirmou
Kálix. Ele ressalta que todas as ocorrências são encaminhas para a Polícia
Civil, independente do pedido de medida protetiva.
Para Kálix, o
prêmio visibiliza as boas práticas, o que possibilita que sejam replicadas em
outras unidades da federação. “O Prêmio Viviane do Amaral também traz um
contexto de visibilização das mulheres e suas vulnerabilidades. Isso é muito
importante porque, quanto mais debatermos o assunto, melhor poderemos
implementar políticas para atender aos normativos, prevenir e proteger as
nossas mulheres e meninas”.
Prêmio
Criado pela Resolução CNJ n. 377/2021, o Prêmio CNJ Juíza Viviane Vieira do
Amaral leva o nome da juíza do Tribunal de Justiça do Rio de
Janeiro (TJRJ) vítima de feminicídio praticado, em dezembro de 2020, pelo
ex-marido.
O prêmio é
concedido em seis categorias: tribunais; magistrados(as); atores (atrizes) do
sistema de Justiça Criminal – Ministério Público, Defensoria Pública,
advogados(as) e servidores(as); organizações não governamentais; mídia; e
produção acadêmica.
FONTE:
Assessoria
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