Dia da Amazônia: o papel vital dos rios na biodiversidade, economia e sobrevivência de comunidades em RO

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Dia da Amazônia: o papel vital dos rios na biodiversidade, economia e sobrevivência de comunidades em RO

 

Essa mesma rede de rios que garante a sobrevivência humana também abriga uma das maiores biodiversidades aquáticas da Amazônia — espécies exclusivas, com características únicas, muitas delas ameaçadas ou vulneráveis.

Um exemplo é o pirarucu, o maior peixe de escamas de água doce do mundo, podendo atingir até 3 metros de comprimento e pesar cerca de 250 quilos. O manejo sustentável do pirarucu gera emprego e renda para centenas de famílias.

Outro peixe de destaque em Rondônia é o tambaqui. A produção no Vale do Jamari — a maior do estado — recebeu o selo de Indicação Geográfica (IG), que reconhece que o peixe é criado em uma região com tradição, qualidade e práticas consolidadas na piscicultura.

Além das espécies abundantes, há aquelas que vivem sob risco constante — como o boto-cor-de-rosa. Presente nos rios da Amazônia e no imaginário popular, ele é símbolo do folclore regional. A lenda do boto é uma das mais conhecidas da cultura amazônica e faz parte do folclore brasileiro.

Apesar de ainda possuir uma população relativamente expressiva, o boto enfrenta ameaças como a caça ilegal, a poluição dos rios e os ruídos provocados pelas embarcações, que comprometem sua saúde e colocam em risco sua sobrevivência.

Essas ameaças à fauna aquática se somam a um problema ainda maior: a escassez de água. Quando os rios secam, não é apenas a vida animal que sofre — comunidades inteiras enfrentam uma realidade drasticamente alterada.

Principais rios de Rondônia 

O Rio Madeira é o principal rio de Rondônia e um dos mais importantes da Amazônia, com mais de 3 mil km de extensão e uma vazão média que o coloca entre os maiores do mundo em volume de água. Ele é essencial para a economia do estado, funcionando como hidrovia estratégica para o transporte de grãos e fonte de sustento para dezenas de comunidades ribeirinhas.

 

Todos os rios de Rondônia acabam desaguando no Madeira, formando uma bacia hidrográfica vital para o estado. São eles:

  • Rio Guaporé: Marca a fronteira com a Bolívia e é essencial para a pesca artesanal e o turismo ecológico.
  • Rio Mamoré: Também fronteiriço, tem papel histórico no transporte fluvial e na ligação com a região amazônica boliviana.
  • Rio Machado: Cruza áreas agrícolas e urbanas, sendo importante para irrigação e abastecimento.

Seca e cheia: extremos que castigam 

“Quando não é a cheia, é a seca.” A frase de Simone Alves mostra que os ribeirinhos sentem na pele o que os especialistas já perceberam: as mudanças climáticas têm intensificado os eventos extremos.

“Os rios têm tido cheias mais intensas e secas mais severas, dificultando o transporte e o abastecimento de água da população, principalmente a ribeirinha”, explica Daniely da Cunha, coordenadora de Recursos Hídricos da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental.

O professor Michel Watanabe, geógrafo e pesquisador, destaca que o equilíbrio dos rios amazônicos depende do chamado pulso de inundação — o ciclo natural de cheias e vazantes que fertiliza o solo, regula a reprodução dos peixes e sustenta a biodiversidade da região. Quando esse pulso se desequilibra e se torna extremo, o sistema entra em colapso.

 

DA REDAÇÃO


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